A Biblioteca Pública da Casa da Achada-Centro Mário Dionísio, com mais de 4000 volumes de literatura, arte, filosofia, história, ciência, livros infantis e juvenis, etc. e algumas centenas de publicações periódicas pode ser consultada durante as horas de abertura. Também a Mediateca, que se encontra em formação, pode já ser consultada e verem-se filmes no local ou levá-los para casa, emprestados. Ver Catálogo da Biblioteca Pública e Mediateca. Ver mais informações.
Mediante marcação:
CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO
O Centro de Documentação, constituído pelo arquivo Mário Dionísio e pela sua biblioteca e de Maria Letícia Clemente da Silva (mais de 6000 volumes e mais de 200 publicações periódicas) pode ser consultado mediante marcação. Ver Catálogo da Biblioteca do Centro de Documentação.
Programação:
Ciclo
a partir de um quadro inacabado de Mário Dionísio
Uma exposição a partir de um quadro de Mário Dionísio, para chegar a outras paragens. É um quadro inacabado, do início dos anos 40, abandonado a meio caminho. Mas que caminho é esse? É uma tela de apreciáveis dimensões (1m40cm x 2m), com uma ambição mural, um mosaico onde parece caber o mundo inteiro. Uma tela cheia de mundo, em cada pincelada. Com campo e cidade, com exploradores e explorados, com homens e mulheres lendo colectivamente, trabalhando, desesperando, lutando. E até figuras, lá ao longe, num «déjeuner sur l'herbe». Com classes sociais diferentes (olhem aqueles chapéus!), do semeador ao homem de cartola, das camponesas aos operários e aos estivadores. E com mais mundo, que se vai revelando aos olhos de quem quiser ver.
Lembrámos Gauguin e o seu «Donde vimos? O que somos? Para onde vamos?». E depois de olhar melhor este quadro revelador - e revelador também para a história do neo-realismo - começámos a descobrir nele outros quadros, outras pinturas e desenhos de Mário Dionísio. Surgiram textos seus, de poemas e ensaios, dos seus diários. A exposição encheu-se de olhares e o quadro trouxe-nos também pinturas de outros pintores (vimos ali Van Gogh, Picasso, Portinari ou os muralistas mexicanos...), ideias e palavras de outros poetas e escritores (surgiu aqui Pasolini, José Gomes Ferreira, Léger...). Uma exposição com história, mas que não é uma lição de história. Uma exposição que não faz sociologia mas que tem lá sociedade (e a de hoje? e a de hoje?). Uma exposição que mergulha no quadro inacabado - e nos seus fragmentos - não para o fechar e completar, mas para o abrir a novos olhares e ideias. Mário Dionísio citava um verso de Paul Éluard para falar a necessidade de ver mais fundo, e não apenas olhar à superfície: «Ver é compreender e agir». E aqui se pode ver - se quisermos - um quadro como se fosse o mundo inteiro e incompleto.
«Olhar e ver» é um capítulo d’A paleta e o mundo do qual vamos partir para trocarmos ideias em conjunto sobre esta exposição. Entre o texto e os quadros expostos lançamos o desafio a todos os que queiram realmente olhar, ver e falar.
Uma hora semanal de leitura colectiva de obras literárias referidas n'Paleta e o Mundo de Mário Dionísio, com parágens para comentários e projecção de imagens.
«A Paleta e o Mundo não é uma história, não é um tratado, nem se dirige a especialistas. Quereria ser antes uma longa conversa - porque nunca esqueço que escrever é travar um diálogo constante, uma das várias e mais fecundas maneiras de não estar sozinho. Uma longa conversa com aquelas tantas pessoas, como eu próprio fui, que, vendo na pintura moderna qualquer coisa de chocante cujo porquê se lhes escapa, achariam contudo indigno injuriá-la sem terem feito algum esforço para entendê-la.»
OFICINA MAIS QUE RECICLAR, REINVENTAR
Meias rotas? Fazer luvas ou bonecos.
Casaco velho, roupa pequena? Fazer moda.
Cachecol aborrecido? Fazer agasalho divertido.
Do velho e gasto ou novo e banal fazer único e original.
Domingo16 de Dezembrodas 15h30 às 17h30
OFICINA DANÇAR O QUADRO
com Cláudia Fonseca
Explorar sonoridades e movimento na relação com a imagem pintada e inacabada.
Domingo25 de Novembrodas 15h30 às 17h30
Ciclo de cinema: À volta dos Filmes de Pater Nestler
Peter Nestler é um cineasta alemão que nasceu mesmo antes da Segunda Guerra Mundial. Fez mais de 50 filmes entre 1962 e 2009. Os primeiros foram rodados na Alemanha onde vivia na altura. Sem recursos para fazer filmes por lá, partiu para a Suécia – país de origem da sua mãe – e aí continuou a trabalhar para a televisão sueca. Peter Nestler trabalhou quase sempre sozinho, por vezes com a sua mulher ou só com um operador de câmara. Apesar da maior parte dos seus filmes ter sido produzida para a televisão sueca, alguns estão desaparecidos, outros nunca foram exibidos (recusados depois de terminados), são todos quase impossíveis de encontrar. Em Portugal, só foram mostrados 8 filmes na Cinemateca Portuguesa em 2011, e agora queremos mostrar o seu trabalho na Casa da Achada.
Nos seus filmes, Nestler concentra-se naquilo que homens e mulheres podem viver de normal, de belo e também de terrível. Plano a plano, ele dá a ver um lugar e os seus habitantes e, para além disso, propõe uma reflexão sobre o poder e sobre a História recontando (ou devolvendo os testemunhos) momentos de sofrimento, de opressão e de injustiça. Mesmo diante da mais violenta expressão de dominação, ele faz tudo para que o mais pequeno indício de resistência possa ainda ser visto.
Ainda que os seus filmes tenham sido produzidos e classificados como documentários, ele relembra-nos frequentemente que não existe diferença entre estes e as ficções. É isso que propomos ver nas sessões em que juntamos os seus filmes com um filme de Jean Renoir, de Fritz Lang, De Dziga Vertov e ainda de outros cineastas…
O Peter Nestler estará presente para acompanhar algumas sessões do programa.
Gefähriches Wissen
de Peter Nestler Ein Arbeiterclub in Sheffield
de Peter Nestler Les amis du plaisir
de Luc De Heusch Ödenwaldstetten
de Peter Nestler Sexta-feira, 7 de Dezembro, 21h00 Duração total da sessão sem intervalo: 135’
Juan Jimenez. Séquence d’un film
de Paul Meyer Fos-sur-mer
de Peter Nestler Toni
de Jean Renoir Sábado, 8 de Dezembro, 21h00 Duração total da sessão sem intervalo: 130’
Mülheim/Ruhr + Rheinstrom
de Peter Nestler Kino Pravda
de Dziga Vertov Zigeuner Sein
de Peter Nestler Sexta-feira, 14 de Dezembro, 21h00 Duração total da sessão sem intervalo: 70’
Tod und Teufel
de Peter Nestler Das Testament des Dr. Mabuse
de Fritz Lang Sábado, 15 de Dezembro, 20h30 Duração total da sessão sem intervalo: 171’
Chilefilm
de Peter Nestler Septembre chilien
de Bruno Muel Im Rurhgebiet
de Peter Nestler Sexta-feira, 21 de Dezembro, 21h00 Duração total da sessão sem intervalo: 92’
Aufsätze
de Peter Nestler Zeit
de Peter Nestler Mit Der Musik Gross Werden
de Peter Nestler Sábado, 22 de Dezembro, 21h00 Duração total da sessão sem intervalo: 84’
Um outro olhar
conversa com João Queiroz eMariana Pinto dos Santos
Quem gosta de ler, falar sobre livros, trocar ideias, ou por exemplo sente que precisa muito de reatar a sua vida com a leitura pode vir experimentar este primeiro encontro de Leitores Achados, incentivado pela Biblioteca Pública da Casa da Achada.
Há no espólio de MÁRIO DIONÍSIO (1916-1993), depositado na Casa da Achada-Centro Mário Dionísio, um conjunto de 24 folhas (1 rasgada e solta) com desenhos, de 11 cm por 22 cm (uns ao alto, outros ao baixo), reunidas num bloco que na catalogação da Casa da Achada tem o título de «Bloco de Infância». Os desenhos têm legendas, umas manuscritas, outras dactilografadas.
Lembre-se: «Escrevo à máquina mais ou menos desde que me entendo.» (MD)
No relatório de quem fez o restauro dos desenhos de Mário Dionísio, ficou escrito: «Conjunto de folhas unidas por duas tachas metálicas e uma linha de costura junto à margem lateral esquerda, num tipo de encadernação artesanal, possivelmente construído pelo próprio artista.»
Os desenhos não datados serão provavelmente de 1926 (ou próximos desse ano), quando MD já frequentava o Liceu (desde os 10 anos) onde havia «senhores doutores».
Diana Dionísio (n. 1982) publicou num blog (http://asilhuetadameninapires.blogspot.com), em 2011, estes textos, que partiram dos desenhos de Mário Dionísio ainda criança. É o cruzamento desses desenhos antigos e destes textos recentes que aqui fica publicado. Cruzamentos de épocas, de idades, de experiências. De quem, em tempos diferentes, observa. E não parece estar contente com o mundo em que vive.
A quem quiser contribuir para que a Casa da Achada-Centro Mário Dionísio
continue a existir
A entrada é gratuita em tudo o que a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio faz. Não por riqueza ou por mania. Mas porque decorre da própria ideia que Mário Dionísio tinha da cultura. E nós, vários anos depois, também.
As excepções são as edições, é claro. Que os Sócios Fundadores e Amigos da Casa da Achada podem comprar abaixo do preço do mercado.
Os tempos vão maus e os apoios institucionais também.
Por isso, agora dizemos a toda a gente que toda a gente pode fazer um donativo, se assim o entender.
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